Uma assinatura a mais no check-in. Sem ela, você não embarca.
Passaporte, visto, assento marcado, mala despachada. Quem já voou para os Estados Unidos conhece o roteiro do check-in de cor. A partir de novembro, ele ganha mais uma tela: uma declaração de saúde que todo passageiro tem que assinar, e que a companhia aérea é obrigada a cobrar antes do embarque.
Eu também viajo para os Estados Unidos em novembro, então fui direto no site do CDC, o órgão de saúde pública americano, ler a regra inteira. Ela é simples de cumprir, mas tem detalhes que pegam muita gente: crianças, conexões e o horário em que ela começa a valer.
Por que isso importa mesmo se você nunca foi à África
A regra foi criada por causa do surto de ebola na República Democrática do Congo, mas ela não vale só para quem esteve lá. Vale para todo mundo que embarca para os Estados Unidos. O que muda para a maioria dos brasileiros não é o risco, é a burocracia: se você não assinar, não entra no avião. É por isso que vale saber como funciona antes de chegar no aeroporto.
1. O que você está declarando
Você confirma que não esteve na República Democrática do Congo nos 21 dias antes de embarcar. A contagem começa no dia em que a pessoa sai do Congo: só a partir do 22º dia ela pode pegar um voo para os Estados Unidos.
E tem um detalhe importante: conexão também conta. Se o seu voo fez escala num aeroporto do Congo nesse período, para o CDC você esteve no país, mesmo que não tenha saído do avião.
2. Quem precisa assinar
Todos os passageiros de voos internacionais para os Estados Unidos, inclusive os próprios americanos e quem tem green card. Cada pessoa faz a sua declaração: uma não vale para a família toda.
- Crianças e adolescentes: quem tem menos de 18 anos não assina sozinho. O pai, a mãe, o responsável legal ou outro adulto autorizado assina por eles.
- Pessoas que não conseguem assinar: um familiar, um acompanhante de viagem ou outra pessoa autorizada pode assinar por elas.
- Quem só faz conexão nos Estados Unidos: também precisa. Vale para quem vai para o Canadá, o México ou o Caribe passando por um aeroporto americano.
3. Como a companhia aérea vai pedir
Quem cobra a declaração é a companhia aérea, não a imigração americana. Ela tem que conferir, até o embarque, que cada passageiro assinou. Pode ser em papel ou digital, com uma assinatura eletrônica ou uma caixinha de confirmação. O CDC recomenda que isso aconteça no check-in ou no embarque do último aeroporto antes dos Estados Unidos, então o mais provável é aparecer no check-in online, no aplicativo ou no balcão.
Cada companhia escolhe o próprio formato, e ela pode oferecer o formulário em português. Por isso não existe um site único para preencher antes: o caminho é o check-in da sua companhia.
4. Informação falsa dá multa e até prisão
A declaração tem valor legal. Dar informação falsa de propósito pode render multa e até prisão pela lei americana. Para quem não esteve no Congo, isso não muda nada: é só responder com a verdade. Mas não é uma tela para clicar no automático sem ler.
5. Se você esteve na África nas últimas semanas
Aqui as regras são mais duras, e não dependem da declaração. Quem esteve na República Democrática do Congo nos últimos 21 dias não pode embarcar para os Estados Unidos, seja de qual nacionalidade for. E o CDC também restringe a entrada de estrangeiros, brasileiros incluídos, que estiveram em Uganda ou no Sudão do Sul nos últimos 21 dias.
O que fazer antes do seu voo
Perguntas frequentes
A declaração vale para brasileiros?
Sim. Vale para todos os passageiros de voos internacionais para os Estados Unidos, de qualquer nacionalidade e saindo de qualquer país.
A partir de quando a regra começa?
Para voos que saem com destino aos Estados Unidos a partir das 23h59 de 3 de novembro de 2026, no horário de Nova York. No horário de Brasília, isso é 1h59 da madrugada do dia 4.
Onde eu preencho a declaração?
Com a sua companhia aérea, que é quem cobra. Ela pode pedir em papel ou digital, geralmente no check-in online, no aplicativo ou no balcão. Não existe um site único do governo para preencher antes.
Criança precisa de declaração?
Precisa. Cada passageiro tem a sua, e para quem tem menos de 18 anos quem assina é o pai, a mãe ou outro adulto responsável.
Vou só fazer conexão nos Estados Unidos. Preciso?
Sim. A regra vale também para quem só passa por um aeroporto americano a caminho de outro país.
E se eu não assinar?
A companhia aérea é obrigada a negar o embarque de quem não apresentar a declaração.
Fiz conexão no Congo sem sair do avião. Conta?
Conta. Para o CDC, a conexão num aeroporto da República Democrática do Congo é considerada presença no país, e você só pode embarcar para os Estados Unidos depois de 21 dias.
Burocracia resolvida. Agora é a passagem.
Eu fui para os Estados Unidos com milhas, pagando só as taxas (conto tudo aqui). No Protocolo Milhas do Zero eu ensino o passo a passo para você juntar milhas no dia a dia, mesmo começando do zero.
Quero viajar com milhas