Atualizado em abril de 2026
Eu e meu marido passamos 30 dias nos Estados Unidos em fevereiro de 2026 — Miami, San Francisco, Los Angeles e Orlando. As passagens, se fossem pagas em dinheiro, custariam quase R$10.000 por pessoa. Pagamos uma fração disso, usando milhas acumuladas no ano anterior. Neste artigo conto exatamente como fizemos isso, de onde vieram as milhas até cada emissão dentro dos EUA.
Contents
- 1 A viagem que nasceu da viagem anterior
- 2 Como acumulamos as milhas que pagaram essa viagem
- 3 Como foi a emissão: Brasil → Miami em Economy Premium
- 4 Como voamos dentro dos EUA com milhas
- 5 A volta: Orlando → São Paulo com LATAM Pass
- 6 Assine nossa lista e receba dicas exclusivas!
- 7 O que pagamos em dinheiro — e o que acumulamos na viagem
- 8 O ciclo que ninguém te conta sobre milhas
- 9 Erros que você pode evitar
- 10 Perguntas frequentes
- 11 Conclusão: a viagem mais estratégica que já fiz
A viagem que nasceu da viagem anterior
Em 2025, fomos à Disney. Parece um gasto comum — e foi. Mas não foi só isso.
Enquanto a maioria das pessoas volta da Disney com fotos, a gente voltou com fotos e com mais de 100.000 pontos na Esfera, acumulados só com os gastos de passeios daquela viagem. Isso sem contar as compras do dia a dia no cartão e as transferências bonificadas que fui capturando ao longo do ano no momento certo de cada programa.
Foi esse estoque que virou a viagem de 30 dias pelos EUA em fevereiro de 2026.
Esse é o conceito que chamo de “ciclo das milhas”: uma viagem financia a próxima. Não é mágica, é estratégia. E é exatamente isso que eu ensino no PMZ.
Como acumulamos as milhas que pagaram essa viagem
Não comprei milhas. Acumulei através de três frentes:
1. Compras bonificadas da Disney (2025) Só com os gastos da viagem anterior à Disney, acumulamos mais de 100.000 pontos na Esfera. Os ingressos dos parques foram comprados no lugar certo, na hora certa, com o programa que estava bonificando mais.
2. Compras do dia a dia no cartão Supermercado, farmácia, assinatura de streaming, conta de luz. Não gastei mais do que gastaria normalmente. Só gastei no cartão certo.
3. Transferências bonificadas Esse é o grande acelerador. Quando os programas bancários oferecem bônus de transferência para a Smiles ou LATAM Pass, o valor das suas milhas dobra — às vezes mais. Monitorei isso ao longo do ano e transferi no momento certo para cada companhia.
O resultado: milhas suficientes para cobrir todas as passagens de uma viagem de 30 dias pelos Estados Unidos para dois.
Como foi a emissão: Brasil → Miami em Economy Premium
Saímos de São Paulo (GRU) com destino a Miami voando em Economy Premium da American Airlines, emitido pela Smiles.
Custo: 96.000 milhas Smiles por pessoa.

Economy Premium não é executiva, mas está longe de ser econômica comum. São assentos com mais espaço, reclinação extra e serviço diferenciado — uma experiência bem acima do padrão para uma viagem de quase 9 horas.
A Smiles é das melhores opções para emitir voos para os EUA com milhas brasileiras, justamente porque tem parceria com a American Airlines e costuma ter boa disponibilidade para destinos populares como Miami. Além disso, você encontra voos com conexão em cidades como Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba, o que facilita a busca dependendo de onde você mora.
Quanto custaria em dinheiro: uma passagem GRU–MIA em Economy Premium em fevereiro girava em torno de R$4.500 a R$6.000 por pessoa. Pagamos apenas as taxas de embarque.
Como voamos dentro dos EUA com milhas
Essa é a parte que a maioria das pessoas não sabe fazer — e é onde as milhas rendem ainda mais.
Voar dentro dos EUA com milhas Smiles, emitindo pela American Airlines, é uma das melhores estratégias que existem. A American tem uma malha doméstica enorme, e os preços em milhas para trechos internos são muito mais acessíveis do que o voo internacional.
Veja como foi nosso roteiro doméstico:
| Trecho | Milhas Smiles (por pessoa) | Companhia |
|---|---|---|
| Miami → San Francisco | 42.000 milhas | American Airlines |
| San Francisco → Los Angeles | 20.000 milhas | American Airlines |
| Los Angeles → Orlando | 38.000 milhas | American Airlines |
Total doméstico: 100.000 milhas por pessoa.
Esse roteiro em dinheiro — Miami a San Francisco, depois a LA, depois a Orlando — facilmente ultrapassa R$3.000 por pessoa em alta temporada. Com milhas, pagamos as taxas, que são bem menores nos trechos domésticos americanos.

Dica prática: quando for emitir voos internos nos EUA pela Smiles, use o site ou app da American Airlines para verificar a disponibilidade primeiro. Depois replique a busca na Smiles. Isso economiza muito tempo de pesquisa.
A volta: Orlando → São Paulo com LATAM Pass
Para a volta, usei milhas LATAM Pass em vez da Smiles — e tem um motivo estratégico aqui.
Ao longo da viagem, já estava acumulando pontos na LATAM Pass pelo Booking.com (cada reserva de hotel pontua) e pelo aluguel de carro. Usar as milhas LATAM para a volta fez sentido porque eu queria subir de categoria no programa — e isso exige acúmulo e uso dentro do mesmo programa.
Custo da volta (Orlando → São Paulo, GRU): 52.000 milhas LATAM Pass por pessoa.
A emissão saiu pela LATAM, em classe econômica. Direto de Orlando para São Paulo, sem escala.
O que pagamos em dinheiro — e o que acumulamos na viagem
Ser honesta é parte do meu método. Então aqui vai o que saiu do bolso:
Hotéis: pagamos em dinheiro. Em Orlando ficamos 20 dias em Airbnb (acumulando Avios pela British Airways, porque sim, até no Airbnb dá para acumular milhas quando você sabe como). Nos outros destinos, hotéis pagos em dinheiro — mas sempre com cartão que pontua e reservando pelo Booking para acumular milhas na LATAMPass.
Aluguel de carro em Orlando: pago em dinheiro, também com cartão que acumula milhas e a reserva sendo feita pela Smiles para acumular milhas.
Refeições e passeios: tudo no cartão certo.
O resultado? Os gastos dessa viagem de 30 dias estão alimentando o estoque de milhas que vai pagar a próxima viagem — Europa no segundo semestre de 2026.
Isso é o ciclo funcionando na prática.
O ciclo que ninguém te conta sobre milhas
A maioria das pessoas pensa em milhas assim: “acumulo, uso, acabou.”
Na realidade, funciona assim: você viaja, acumula enquanto viaja, e usa o que acumulou para a próxima viagem.
Em números, foi mais ou menos isso:
- Milhas usadas para essa viagem (por pessoa):
- GRU → Miami (Economy Premium): 96.000 Smiles
- Voos domésticos EUA: 100.000 Smiles
- Orlando → GRU: 52.000 LATAM Pass
- Total usado: ~248.000 milhas por pessoa
- Valor em dinheiro dessas passagens: ~R$13.000 por pessoa
- Milhas acumuladas durante a viagem: gastos em hotel, Airbnb, aluguel de carro, alimentação — tudo pontuando para construir o próximo ciclo.
Não é uma viagem “de graça”. É uma viagem estratégica. E existe uma diferença enorme entre as duas.

Erros que você pode evitar
Aprendi muito ao longo dos anos, e hoje consigo fazer isso sem perrengues. Mas esses são os erros mais comuns que vejo em quem está começando:
Erro 1: Acumular milhas sem definir o destino primeiro. Quando você sabe para onde quer ir, sabe qual programa priorizar. Sem destino, você acumula de forma dispersa e perde oportunidades de transferência bonificada.
Erro 2: Transferir pontos sem esperar o bônus. A diferença entre transferir na promoção e fora dela pode ser de 80% ou mais. Isso significa que você pode precisar de metade das milhas para a mesma passagem — se esperar o momento certo.
Erro 3: Ignorar as milhas que a viagem em si gera. Hotel, carro, passeios — tudo acumula. Quem não programa isso com antecedência deixa milhas na mesa toda vez que viaja.
Erro 4: Pensar que precisa de cartão black para acumular milhas relevantes. Não precisa. Precisa de estratégia.
Erro 5: Não acompanhar as janelas de disponibilidade de cada programa. A Smiles para os EUA abre com 11 meses ou aparece com poucos meses de antecedência. A LATAM tem janelas diferentes. Quem não conhece essas janelas perde as melhores emissões.
Perguntas frequentes
Quantas milhas preciso para voar para os EUA em 2026? Em econômica, você precisa de 60.000 a 80.000 milhas Smiles por trecho para destinos como Miami ou Orlando, voando pela American Airlines. Em Economy Premium, como fizemos, o custo foi de 96.000 milhas Smiles por trecho saindo de GRU.
Dá para voar dentro dos EUA com milhas brasileiras? Sim. Com milhas Smiles você pode emitir voos domésticos nos EUA pela American Airlines. Os custos de milhas variam por trecho, dependendo da distância, com disponibilidade razoável se você souber quando buscar.
Como acumular milhas rápido para uma viagem aos EUA? A combinação mais eficiente é: cartão de crédito com boa taxa de acúmulo no dia a dia + compras bonificadas com cartão de crédito ou não + transferências bonificadas no momento certo + acúmulo em parceiros como Booking.com, Airbnb e serviços do cotidiano. Com estratégia, é possível acumular milhas suficientes para um voo aos EUA em 8 a 12 meses.
Preciso de visto americano para viajar com milhas para os EUA? Sim. O visto americano é necessário independente de como você vai pagar a passagem — com milhas ou em dinheiro. Planeje a solicitação com antecedência, pois os prazos de entrevista têm variado bastante.
Vale a pena usar milhas para voos domésticos nos EUA? Muito. Os preços em dinheiro para voos internos nos EUA são altos, especialmente na alta temporada. Usar milhas para cobrir o roteiro interno é uma das estratégias mais eficientes em termos de valor por milha.
Conclusão: a viagem mais estratégica que já fiz
Trinta dias nos Estados Unidos. Miami, San Francisco, Los Angeles, Orlando. Economy Premium na ida, voos internos cruzando o país, volta direta de Orlando. Passagens que custariam ~R$15.000 por pessoa se fossem pagas em dinheiro.
E tudo isso foi financiado pelas milhas que acumulamos viajando no ano anterior e nas compras bonificadas.
Não foi sorte. Foi o método funcionando: destino definido, programas certos, transferências no momento certo, acúmulo durante a viagem e no dia a dia.
Se você quer entender como montar esse ciclo desde o início — mesmo sem milhas acumuladas hoje — é exatamente isso que ensino no PMZ, Protocolo Milhas do Zero.
